Home

Em dezembro, a nossa entrevista é com um casal muito especial, os empreendedores sociais e apaixonados por transformações positivas Felipe e Gabriele. Ele é formado em Administração de Empresas e tem uma pós em Comunicação, ela é advogada e tem pós em Direito Societário e Sustentabilidade e Responsabilidade Social Corporativa. Eles são de São Paulo, tem 32 e 29 anos, respectivamente, e passaram 10 anos trabalhando em grandes empresas, ele em marketing e ela na área jurídica. Eles tinham bons empregos e com boas perspectivas de carreira, mas não sentiam conexão com aquilo que faziam. Foi nesse momento de muito questionamento sobre si e sobre propósito que eles se conheceram, participando de uma formação em negócios sociais, a Usina de Ideias. A partir daí, começaram a namorar e a elaborar um grande projeto, o Think Twice Brasil. Saiba mais sobre a história do casal e sobre o Think Twice Brasil nas palavras da Gabi:

20P20T: O que é o Think Twice Brasil?

Gabriele: O Think Twice Brasil teve como primeiro projeto uma Experiência de Empatia, uma viagem de 400 dias para 40 países da África e Ásia em busca de pessoas que são agentes de transformação e trabalham para melhorar, efetivamente, a vida do próximo. Escolhemos começar fora do Brasil, porque acreditamos que ao conhecer novas realidades, estamos mais abertos ao inusitado, ao imprevisível, ao diferente e mais sensíveis para perceber sutilezas. Nesses continentes, encontramos contrastes valiosos de culturas, crenças e valores. Por meio da empatia, quisemos nos conectar com essas pessoas para enxergarmos através dos seus olhos e sentirmos com seus corações. Nosso objetivo maior com a viagem foi nos tornarmos pessoas mais conscientes e desenvolver capacidades essenciais que nos permitiram trabalhar integralmente em prol da transformação social.

20P20T: Como era a rotina de vocês na viagem? 

Gabriele: O nosso foco era realmente conhecer projetos e vivenciar experiências de transformação nos locais que escolhemos passar. Fomos com o dinheiro contado para isso e não tínhamos o objetivo de fazer turismo. Como uma das premissas era praticar a empatia, de cara definimos que essa experiência seria feita da maneira mais simples possível, utilizando apenas transporte público, se hospedando em albergues, vilarejos rurais e nas acomodações oferecidas pelos próprios projetos. Essa foi a maneira que encontramos para nos aproximar o máximo possível dessas diferentes realidades e poder sentir na pele como é a vida quando não se tem muitas escolhas. 

IMG_9426 cut

20P20T: O que mais inspirou vocês durante essa trajetória?

Gabriele: Passamos por muitos lugares e conhecemos muitos projetos inspiradores, tanto na Ásia quanto na África. No geral, diria que a África foi mais marcante, principalmente pelas pessoas. Lá, elas têm muita energia, são muito alegres, abertas e generosas. Participamos de projetos diretamente em comunidades e pudemos encontrar o nosso propósito, o de servir, nos doar para encontrar soluções para um bem comum. Aprendemos muito e refletimos a cada experiência.

Zambia_IMG_2015

Isso nos deu a certeza de que tem muito mais gente do bem do que podemos imaginar. Como a Dona Monica, na Namíbia, que oferece diariamente em sua casa refeições nutritivas para mais de quinhentas crianças do bairro. O Osvaldo, em Moçambique, ex-menino de rua que criou um centro de formação para crianças e adolescentes. A Tariro, no Zimbábue, uma menina de dez anos que caminha diariamente vinte quilômetros para frequentar a escola, já que estudar é a sua única esperança de não ser obrigada pela família a se casar nos próximos três anos. 

Também nos hospedamos na casa da família Kasonde, na zona rural da Zâmbia, trabalhamos em uma fazenda orgânica e convivemos com órfãos e viúvas acolhidos pela querida Rose, no interior do Quênia. Dividimos o “quarto” com ratos, gafanhotos, aranhas e escorpiões. Fora o banho de caneca e xixi no matinho que são as únicas opções quando não há água encanada, nem eletricidade (o que acontece na maioria das vezes). Crescemos muito e aprendemos na prática sobre temas como empatia, informação, liberdade, empoderamento, oportunidades, privilégios e mérito, educação social, igualdade de gênero, respeito e responsabilidade.

20P20T: Do que vocês tiveram que abrir mão para tornar o projeto uma realidade? 

Gabriele: Com certeza tivemos que abrir mão de todos os padrões e preconceitos. Até do próprio conceito de sucesso tradicional: fazer uma boa faculdade, ter um bom emprego, ganhar bem, ter uma casa legal, um carro legal, etc. Esse conceito de sucesso não funcionou pra mim. Fui descobrir isso quando eu levantava de manhã pra ir pro trabalho e era um martírio. Foi a partir daí que eu comecei a refletir sobre a vida que eu queria para mim e pensar que os padrões não faziam sentido. Acredito que sofremos muito com os padrões da sociedade sem perceber, pois eles nos forçam a fazer coisas que nem sempre são melhores para nós, em que poderíamos exercer nossos talentos e habilidades. Cada um tem a chance de olhar para a sua história de forma diferente. Sucesso para mim é ser feliz e servir com todo o meu coração é o caminho que encontrei para fazer o meu trabalho.

20P20T: Vocês enfrentaram preconceitos de familiares, amigos e outras pessoas, quando decidiram mudar de vida?

Gabriele: Enfrentamos preconceito sim e ainda enfrentamos. Toda decisão que não segue pelo fluxo convencional, gera uma reação negativa no sentido de desaprovação, como olhares e nariz torto rs. A nossa decisão implicou em uma transformação completa, nós tínhamos bons empregos e muitos benefícios, principalmente o Felipe, que tinha um cargo alto. Quando falávamos quem nós éramos, tínhamos a credibilidade do rótulo empresarial. Quando decidimos mudar percebemos uma resistência das pessoas, algo como: “Eles tinham tudo o que todo jovem queria ter e jogaram tudo para o alto?”. Até hoje isso é um desafio, mas quando as pessoas percebem a forma como lidamos com a vida, o quanto mudamos com toda a experiência, é algo muito legal! Hoje estamos tão plenos com a nossa decisão, tão felizes, que no fim das contas é só isso o que importa. 

20P20T: Os jovens tem buscado empreender e apoiar cada vez mais os negócios sociais. Qual dica vocês dão para aqueles que desejam trabalhar nesta área?

Gabriele: O meu conselho, foi um conselho que recebi e foi o meu melhor amigo durante esses 400 dias de viagem, é ouvir muito mais do que falar. Digo isso, porque quando temos a ânsia de mudar o mundo ou a comunidade, temos ideias e achamos que elas são perfeitas para solucionar os problemas de todos. Essa tendência, de achar que todo mundo compartilha da solução que você criou, pode não refletir a realidade. Você pode chegar em uma comunidade totalmente diferente e é muito possível que a sua ideia não dê certo, porque você não ouviu de onde veio o problema. Acho que esse conselho é até pra vida, qualquer coisa que você vá fazer, antes de executar ouça e só faça com base no que você ouvir. Para um negócio gerar impacto ele tem que gerar impacto para a pessoa certa, não para nós que o estamos criando. São as pessoas que têm que te falar o que elas estão precisando e juntos cocriamos uma ideia, um projeto ou um negócio. A ideia tem que sempre partir de quem for beneficiado. 

20P20T: Como vocês vêem os negócios sociais? Qual papel os jovens podem ter para desenvolvê-los cada vez mais em nosso país?

Gabriele: Sou suspeita para falar de negócios sociais, porque a gente realmente acredita que essa é a maior possibilidade de mudar o mundo. Quando pensamos em um modelo convencional de empresa, enxergamos uma preocupação extremamente relevante com o lucro, mas o capital humano nem sempre é valorizado como deveria. Quando falamos em negócio social, temos um modelo que por essência é oferecer um produto ou um serviço para resolver um problema social ou ambiental em uma comunidade de baixa renda, e que apresenta isso como um negócio lucrativo, idôneo e íntegro, que causará um impacto positivo nesta comunidade. É uma mudança de paradigma, mostrando que na sociedade em que vivemos temos a possibilidade de criar ideias e pensar em modelos diferentes que causem mudanças e ao mesmo tempo gerem lucro para quem está por trás disso. Tenho 29 anos e acredito que descobri isso um pouco tarde, se os jovens tiverem condição de se aprofundar sobre o tema e se colocarem a serviço da sociedade com os seus talentos, cada vez mais, sem dúvidas é o que transformará o mundo. 

Esta foto é da experiência #20 sobre a passagem do Felipe e da Gabi pelo Irã, um país que se mostrou inspirador e acolhedor. Você pode conferir clicando na imagem ou acessando o site do Think Twice Brasil.

 

20P20T: Quais são os planos da Think Twice Brasil para o futuro?

Gabriele: Nós voltamos em setembro, então ainda estamos nos adaptando e tendo muitas ideias. Por enquanto, sabemos que o Think Twice Brasil se tornará um movimento social e político, com o objetivo de engajar pessoas a mudarem realidades. Através do site, de eventos e workshops, queremos auxiliar as pessoas a enxergarem além. Nós precisamos mudar nós mesmos para mudar o mundo. 

20P20T: Para você, o que é fazer o que se ama?

Gabriele: É fazer algo que quando você está fazendo você não percebe o tempo passar. No meu caso é o trabalho de campo. A minha missão é servir na base, na comunidade, na favela, no campo de refugiados ou na zona de conflito, e quando estou lá, conversando com as pessoas, ouvindo os problemas, brincando com as crianças, transbordo um amor que nem eu achei que era capaz de sentir. É você se perceber tão pleno, tão completo, que tem a consciência de que você está exatamente onde você deveria estar, e você não mudaria nada.

A vivência em Burundi foi o melhor presente de aniversário do Felipe. Para saber o porquê, clique na imagem e leia a Experiência #14 no site do Think Twice Brasil 🙂

Para acompanhar o Felipe e a Gabi, acesse o site do Think Twice Brasil e conheça a página no Facebook. Para ficar por dentro das novidades e experiências da viagem, siga o canal no YouTube e o Instagram do projeto 🙂

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s