Home

Todos nós temos um espírito aventureiro, aquela vontade de viver com maior intensidade, de descobrir um universo diferente e de conhecer mais sobre nós mesmos ao conhecer o mundo.

Na semana passada vimos um post muito bacana no blog da Maria Thereza, o Travel Monster, falando sobre a difícil tarefa de equilibrar a necessidade de viajar com o trabalho. Achamos o texto incrível e por isso a convidamos para compartilhar o que escreveu lá, junto com um pedacinho da sua história!

Boa leitura 😉

“Tenho 20 e poucos anos e o privilégio de dizer que trabalho com o que amo. Desde a adolescência, meus maiores interesses eram línguas estrangeiras e explorar lugares novos e culturas diferentes da minha. Com uma paixão por ler e escrever somada a tudo isso, não foi difícil escolher o curso: já entrei no curso de Letras da UFPR pensando na profissão de tradutora.

Levando na bagagem um intercâmbio de High School nos Estados Unidos, um intercâmbio acadêmico na França e dois intercâmbios de trabalho temporário nos Estados Unidos, além de empregos nem sempre relacionados à tradução, fui juntando experiências pessoais e profissionais que culminaram onde eu estou agora e espero que me levarão ainda mais adiante.
18959_242087218428_675448428_3348091_1426197_n
IMG_0336
Hoje trabalho em uma agência de tradução em Curitiba e faço trabalhos como freelancer para editoras e agências de várias partes do Brasil. Mas além da satisfação no trabalho, acredito que é extremamente importante valorizar seus hobbies e as outras coisas da vida que te fazem feliz. Por isso, faço questão de arranjar tempo para o meu blog, o Travel Monster, onde alimento duas paixões: escrever e viajar.
Quando a gente fala em viajante, aventureiro, travel monster etc. logo imagina aquele personagem bem nômade, que nunca estabeleceu raízes em lugar nenhum, que mora alguns anos em cada lugar e sobrevive de bicos ou de vender artesanato. A gente pensa no Alexander Supertramp de Na Natureza Selvagem. A última figura que nos vem à mente é a da funcionária pública com a segurança profissional que ela tanto almejou e batalhou pra conseguir, ou a do pai de família que tem filho pequeno pra criar.

Na Capadócia conheci um argentino que era a personificação do primeiro exemplo. Ao contrário do que você pode estar imaginando, ele era um cara tranquilíssimo, com um jeitão bem na dele. Ele me contou que ficava no mesmo lugar enquanto estivesse gostando, sem pressa pra ir pro próximo nem pressão pra ficar no mesmo. Trabalhava com hotelaria e, portanto, era relativamente fácil arranjar emprego cada vez que se mudava. O máximo que ele já havia ficado em um mesmo lugar era dois anos. De vez em quando voltava para visitar a família, coisa rápida.

Devo dizer que esse estilo de vida sempre me pareceu muito romântico, o do nômade, mas era uma ideia muito remota para mim, com esse monte de responsabilidades que todo mundo tem.

Até que em 2011 saí de um emprego que eu odiava para poder trabalhar exclusivamente como freelancer. Todo o meu trabalho era feito pela internet, o que me abria um leque de possibilidades literalmente do tamanho do mundo. Estava aí minha oportunidade de viver como meu amigo argentino, levando apenas meu computador em baixo do braço, trabalhando em qualquer lugar que oferecesse uma conexão à internet. E de fato, no ano seguinte viajei em todos os feriados e fiz um intercâmbio. Porém, embora esse mundo de possibilidades de locomoção devesse, em teoria, ser libertador, eu me sentia presa!

Talvez fosse minha zona de conforto querendo me segurar, mas na hora em que a vida nômade se tornou uma possibilidade real para a minha vida, congelei. Entre muitas outras questões práticas que esse estilo de vida levantaria, só pensar em procurar lugar pra morar cada vez que eu me mudasse — lidar com imobiliária, arranjar fiador, procurar um bom quarto pra alugar, contar com a sorte de achar um bom roomate, tudo isso — já me dava um desgosto. Além disso, não ter nada de concreto que me prendesse em lugar algum (um emprego, no meu caso) provou ser um peso muito maior do que eu imaginava. Se eu não preciso ficar aqui, por que estou aqui? E se eu não quiser ficar aqui, vou querer ficar onde, então? A liberdade realmente assusta, e entendi por que a “zona de conforto” tem esse nome, ela é realmente muito confortável.

Então, em 2013, tudo mudou. Fui contratada! Quando recebi a oferta de emprego, o que mais pesou na hora de tomar a decisão foi a perda da minha autonomia de freelancer. A vida nômade que eu achava linda porém intimidadora não estaria mais à minha disposição! Eu tinha um trabalho travel monster por definição e precisaria abandonar isso se quisesse a segurança do proletariado.

IMG_1752

Um trabalho tão travel monster que dava pra trabalhar no avião a caminho da próxima viagem.

Só que não é bem assim. Uma coisa não exclui a outra. É perfeitamente possível ter sua segurança, sua estabilidade, e continuar vivendo pela filosofia travel monster. Você pode estar lá batendo cartão todo dia em horários rígidos, mas existem férias, existem fins de semana, existe a hora do almoço para fazer uma coisa diferente todo dia. Seu emprego não precisa ser uma prisão se você gosta dele o mínimo que seja.

O mais importante é tomar o máximo de cuidado para saber exatamente se o estilo de vida que você escolheu é o que te deixa mais feliz, e não só mais confortável, mais conformado. Todo dia você precisa parar e se perguntar se isso é o que você quer ou se é o que a sociedade espera de você. No dia em que você acordar e se der conta de que está vivendo no automático, com base nos princípios de outra pessoa, aí sim é hora de experimentar e tentar encontrar outra coisa. E esse é o único jeito de encontrar: experimentando.

Acabou que aceitei o emprego e gosto muito dele. Um dia ainda vou tirar um tempo sabático para sair por aí pulando de cidade em cidade, experimentar um pouquinho de como é a vida do meu amigo argentino, mesmo tendo plena consciência de que uma hora vou cansar e me restabelecer. Mas por enquanto estou satisfeita com a ideia de ter uma aventura por ano, inclusive já planejando a de 2014. E confesso que a ideia de ser paga pra ter 30 dias de aventura no ano é deliciosamente confortável.”

IMG_2019 (1)

Tetê, adoramos que você compartilhou o seu texto com a gente! Desejamos todo o sucesso para o Travel Monster e que você consiga realizar inúmeras viagens com significados diferentes e muitos aprendizados! 🙂

Anúncios

Um pensamento em “Uma aventura por ano

  1. Pingback: O espírito viajante | 20 E POUCOS 20 E TANTOS

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s