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Recentemente, um texto muito bacana tem circulado na internet, colocando as elevadas e irreais expectativas de sucesso como um dos principais motivos de infelicidade da geração Y. O principal ponto apresentado pelo autor é que, ao contrário da geração anterior que tinha uma ideia de que o sucesso só seria alcançado através de muito suor e trabalho duro (mas acabou alcançando mais do que esperava graças às condições econômicas favoráveis), nós, da geração Y, estamos sendo inundados por um mar de frustração e desapontamentos já que aos poucos estamos descobrindo que nosso caminho para a felicidade não será tão fácil quanto o esperado. Esse descontentamento seria fruto de uma crença irracional (aparentemente ensinada pelos nossos pais) de que somos “especiais”, de que todos nós somos “prodigiosamente magníficos e que nossa vida profissional irá se destacar na multidão”, de que já temos um lugar reservado na capa de uma revista famosa com a seguinte chamada: “conheça mais um jovem que já é um sucesso antes dos 25”.

Entretanto, “lidar com expectativas frustradas” nunca foi uma tarefa exclusiva de uma só geração, mas sim um obstáculo inerente à existência humana. Tanto nossos pais quanto avós e demais ancestrais tiveram que lidar com um infinito número de decepções ao longo de suas vidas. Para algumas pessoas da geração anterior, a realidade foi mais generosa do que eram as expectativas. Para outros, o contrário acabou acontecendo. E o que dizer dos pessimistas? Acreditar que o futuro será sempre pior e ser surpreendido quando a realidade é mais satisfatória não é algo que ajuda também.

Ser realista não é algo fácil pra ninguém, afinal de contas não somos assim tão racionais quanto acreditamos ser – nosso cérebro não é uma máquina assim tão poderosa a ponto de levantar todos os dados do ambiente e assim prever o que irá acontecer. Viver com “zero expectativa” em relação ao futuro também não seria uma solução, já que esta tem a função biológica de evitar que você se meta em uma enrascada.

Por isso é que as expectativas por si só não são o problema. O problema é a maneira como você lida com as suas expectativas.

É nesse contexto que gostaria de apresentar para vocês nossa próxima entrevistada. A Lorrana tem 20 e poucos anos é uma empreendedora desde maio de 2012. Ela cursou duas faculdades, uma de Direito e a outra de Relações Públicas, mas o seu grande interesse por transformar o mundo em um lugar melhor fez com que ela abrisse o seu próprio negócio.

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Lorrana foi uma das vencedoras do prêmio Jovens Inspiradores da Veja / Fundação Estudar de 2013

A escolha de qual faculdade seguir não teve nenhum embasamento muito concreto. Ela optou por aquilo que parecia ser mais interessante e que lhe parecia ser mais útil no momento – tomou uma decisão “meio que sem saber o porquê”. Passou por alguns estágios relacionados à área escolhida e fez alguns trabalhos voluntários, para cumprir com o que era esperado de um estudante em início de carreira. Em paralelo, sempre que sobrava um tempo, assistia a documentários que falavam sobre grandes problemas sociais e soluções criadas para resolvê-los. Aos poucos, começou a ficar inquieta e passou a se perguntar o porquê de estar fazendo o que estava fazendo.

Lorrana sempre foi uma pessoa que tinha ideias mirabolantes para resolver os problemas que surgiam sua volta. Quando tinha 16 anos, por exemplo, teimou com a ideia de que o mundo precisava de um satélite wifi que permitisse as pessoas presas no trânsito acessassem a internet. Na grande maioria das vezes, as pessoas à sua volta tinha uma reação pessimista: “veja só, isso não daria certo por causa disso e por causa disso…”.

Em maio de 2012, mais uma dessas ideias gigantescas surgiu. Mirabolante como todas as outras que já tinham aparecido, mas de certa forma diferente. Quando compartilhou com as primeiras pessoas que encontrou no dia seguinte a reação foi diferente da imaginada. Ao invés do “isso não vai dar certo” habitual ela começou a perceber reações otimistas das pessoas com uma frequência que não tinha percebido até então. Isso à fez perceber que as suas ideias e sua capacidade de convencimento tinham amadurecido a ponto de dar o próximo passo e começar a transformá-las em realidade. Após meses estruturando o projeto, logo surgiu o Bliive – uma rede social de troca de tempo.

O Bliive fez com que a Lorrana se tornasse ganhadora do prêmio Jovens Inspiradores da Revista Veja / Fundação Estudar, fosse até Copenhagen na Dinamarca para representar o Brasil inteiro na etapa global do Creative Business Cup e conquistasse o primeiro lugar no programa HUB Fellowship em Curitiba. Hoje, ela é CEO de uma rede social que já conta com mais de 12 mil usuários, em 50 países e lidera uma equipe de 5 pessoas. O Bliive já proporcionou mais de 650 “trocas de tempo” entre os seus usuários. Por sinal, sugiro que você visite o site e veja essa ideia irada com os seus próprios olhos!

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Lorrana e a equipe do Bliive, recebendo o prêmio de primeiro lugar do Hub Fellowship.

Durante a nossa conversa a Lorrana apontou suas expectativas como a maior dificuldade durante sua jornada: “Eu acreditava que seria muito rápido chegar a centena de milhares usuários ”. Entretanto, a realidade mostrou-se menos meteórica do que o esperado e cada revés exigia uma capacidade maior de lidar com as frustrações por parte da Lorrana. Os primeiros “nãos” vieram com as tentativas de produção do site. Várias sociedades até então promissoras foram desfeitas até se encontrar a parceira ideal. Em seguida, a derrota em uma competição entre start-ups de todo o Brasil. Tudo isso somado à constante escassez de recursos para financiar o projeto.

Durante vários momentos de sua jornada, a Lorrana viu ressurgir à figura do pessimista que desacreditava sua ideia. Cada expectativa frustrada vinha acompanhada de uma grande tristeza e de pesar, e isso exigia uma força cada vez maior para retomar a rotina e dar continuidade ao projeto. Definitivamente, o desânimo e a decepção não estavam ajudando a tornar o Bliive uma realidade.

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Uma das frentes de atuação do Bliive no momento é expandir as operações B2B (business to business).

A medida que as frustrações iam se acumulando, a Lorrana percebeu que poderia encarar tudo isso de maneira mais fácil. Ao invés de perder tempo lamentando-se pelo que não aconteceu, passou a focar no como aquele acontecimento poderia ser um aprendizado útil para que o projeto fosse viabilizado.

À medida que a Lorrana foi tocando o seu projeto, ela viu o quanto ficar triste ou deprimida diante de uma expectativa frustrada lhe cegava para as coisas boas que estavam acontecendo. O projeto já havia evoluídon muito, mas ela não conseguia reconhecer o progresso, pois estava ocupada se lamentando pela promessa de sucesso não realizada. Aos poucos, ela começou a dar mais valor para as conquistas positivas inesperadas, fruto do seu trabalho. Desta forma, ela percebeu que precisava conhecer mais a fundo o mercado em que estava atuando para fundamentar melhor as suas expectativas, que aos poucos, se tornaram mais realistas.

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Lorrana apresentando o Bliive na etapa nacional da Creative Business Cup.

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Depois da etapa nacional, veio a etapa internacional da Creative Business Cup.

Ela poderia apenas ter aceitado que a realidade era diferente de sua expectativa e não ter feito nada em relação a isso. Porém, mais do que aceitar o fato de que a realidade era diferente da sua expectativa, ela passou a trabalhar para mudar a sua realidade. No fim, cada pequena ou grande frustração que surgia no caminho da Lorrana se tornava um insumo para que ela estivesse ainda mais próximo de atingir o seu objetivo, cada acontecimento inesperado tornou-se uma lição para se alcançar o objetivo final.

Acima de tudo, o que mais me chamou a atenção da Lorrana é que sempre que as coisas davam errado e aconteciam diferente do planejado, por mais que aquilo fosse difícil e frustrante, ela sempre teve uma fé inabalável (e continua tendo) de que o momento de dificuldade era algo indispensável dentro de sua jornada. Para ela, nenhum líder é capaz de atingir resultados sem enfrentar obstáculos. E cada um recebe os desafios que precisa para tornar o seu caráter forte o suficiente para dar o próximo passo. No fim das contas, as expectativas frustradas tornaram-se parte essencial do processo de construção Bliive.

Hoje, a dificuldade das expectativas continua por ali. O que mudou é que agora, além de melhorar o seu convívio com ela, a Lorrana passou a enxergar um propósito maior nisso tudo.

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Lorrana, foi muito bacana conhecer a sua história. Temos certeza de que este ano será fantástico para você e para o Bliive. Desejamos que além do sucesso, você continue tendo muitos aprendizados!

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3 pensamentos em “Lorrana Scarpioni

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